O mundo grita: Urgente, precisa-se de agilista!

Hoje compartilho a minha percepção sobre as entrevistas de emprego para nosso contexto de agilidade.  Surpreendentemente, o mundo grita: Urgente, precisa-se de agilista! Agile.Pub te ajuda com dicas para uma boa entrevista.

Calma gente, não viramos RH e muito menos head hunter. Ágil ou agilidade é um “termo da moda” pelo o que vejo no LinkedIn. Atualmente, não faltam vagas com os termos Scrum Master, Product Owner, Agile Coach, Agile Master, Agile Project Manager, Agile Manager, Agile Dev,  Agile Mega Plus Plus 3.0, dentre outros. Ao passo que a busca de agilista no mercado é um fenômeno super legal, visto que estamos com mais de 20 anos de ágil no Brasil, e no momento, há muitas empresas querendo ou começando a querer ou adotando as práticas ágeis. Pesquisei somente aqui em nossa terrinha e notei que já viramos “exportadores” de agilistas. #orgulho

Particularmente, tomei noção desse “bum” de oportunidades de trabalho/emprego/profissão nos últimos quadro anos ao participar de alguns processos seletivos. Recentemente, passei de entrevistada para entrevistadora. Nooooossa, isso foi um baque, assim percebi como eu não sabia me “vender” em uma entrevista. Como resultado dessa reviravolta de papéis, gostaria de passar algumas dicas que aprendi na porrada quando participava de processo seletivo. Ah.. com certeza esse tipo de dica deve ser mais velha que o meu pai (+ de 80 anos), e por essa razão gostaria de relembrar, dado que elas ainda são válidas até hoje.

Conte suas verdadeiras histórias.

Conforme a entrevista vai acontecendo, o entrevistador faz perguntas sobre sua experiência. Gosto muito de prestar atenção na narrativa da pessoa. Acima de tudo, seja verdadeiro/a. Prefira dizer que não sabe ou só conhece de leitura do que falar que sabe. Em resumo, compartilhe o que você viveu, como atuou nesse papel, sua posição durante essa vivência. Antes de tudo, com muita humildade.

Só para exemplificar uma narrativa base para você utilizar:

Certa vez, usei ao Learning Canvas, foi muito legal, todos contribuíram, apliquei em um grupo de estudo a fim de levantar formas de engajar as pessoas, saímos com bons resultados para serem aplicados. Por outro lado, como era a primeira vez com a técnica, eu mudaria a forma que organizei a dinâmica. Em primeiro lugar, dividiria as pessoas em grupos menores, já que tinha muita gente nessa interação. Quero praticar mais essa técnica.

Já falei em diversos posts aqui como é importante o processo de aprendizagem em sua jornada profissional, exponha isso da melhor forma para o entrevistador/a, para que a pessoa perceba sua bagagem.

Ah Jana, nunca atuei com algum papel/cargo em agilidade, como posso contar minhas histórias?

Acredito que não é o cargo ou papel que lhe leva a ser ágil, portanto, sugiro colocar em prática algum de nossos posts ou mesmo começar a explorar como faria a partir das suas fontes de estudo. Você terá a chance de apresentar o que você vem estudando e como você adaptaria o seu conhecimento a alguma situação. Por consequência, isso pode contar muito ao seu favor.

Currículos limpo e sincero.

Ainda falando de aprendizagem, particularmente, não gosto de informar na entrevista que tenho X certificações em XPTO, Y cursos ministrados, Z posts no Agile.Pub. Um currículo pode listar tudo isso. Fique atento em colocar só o necessário no seu CV também. Pois na entrevista o excesso de conteúdo pode ser seu calcanhar de aquiles. 

Exemplo: Ao adicionar em meu CV que tinha conhecimento básico em gamefication, o recrutador me questionou como utilizaria isso. Porém o meu conhecimento era muito raso ainda é, não estava tão familiarizada como eu imaginava, me atrapalhei na resposta e o recrutador na hora fez a cara de quem não gostou. Bem, o fato é que não passei.

Certificados.

Quando o entrevistador lhe questionar sobre certificados, fale como você o está aplicando em sua vida, o que minimamente você consegue tangibilizar desse conhecimento adquirido no contexto em que você vive, seja ele ágil ou não,  divida com as pessoas da sala o que você fez de errado e o que você aprendeu ao aplicar. Logicamente, os sucessos devem ser comentados. Agora, evite falar de culpados, isso não ajuda em nada, na verdade, para mim isso se torna algo até negativo. Lembre-se que a entrevista é sobre você e sobre o que você é capaz e não um muro de lamentações.

Entreviste a empresa.

E por fim, algo que insisto que façam nas entrevistas: Entreviste a empresa. Primeiramente, espere que a empresa dê a abertura para fazer perguntas durante uma entrevista.

Pergunte sobre a agilidade na empresa, o que é? Como é? Por que é ? Quem é? quase um 5W2H. A final, a entrevista serve para os dois lados, para validar se as expectativas de ambas as partes estão claras e se atendem uma da outra.  

Expectativas de um papel de uma pessoa agilista.

Agile.Pub te ajuda com dicas para uma boa entrevista, mas elas não são nenhuma novidade, né? Portanto, o que difere para o contexto de agilidade? Sendo bem simplista, ter um bom mindset, aplicar práticas conforme o contexto, entender a ideia de experimentação, vontade em estudar, desenvolvimento próprio, capaz em ter didática, ter comprometimento, ter capacidade de adaptação, busca por atualização constante, e, enfim, ser uma pessoa que resolver problemas baseado no contexto. Além das expectativas da empresa, essas são as minhas expectativas para com um/a pessoa agilista.

Conte mais, você também acredita que o mundo vem gritando por Urgente, precisa-se de agilista? Será que estamos nos preparando bem para uma boa entrevista? Sua empresa sabe o que procurar em uma pessoa agilista? Você consegue demonstrar toda sua experiência?

Abraço e boa sorte.

Mostrando 7 comentários
  • Vinicius
    Responder

    Oi Jana, ótimo texto, meus parabéns!

    Alguma dica pra quem quer iniciar a carreira em metodologias ágeis?

    Eu fui analista e desenvolvedor por 4 anos, terminei um MBA em métodos ágeis recentemente, mas não pude aplicar na prática, a empresa não tinha interesse de mudar.

    Sem experiência é difícil, praticamente impossível, conseguir entrevistas nessa área, e é totalmente compreensível as empresas nem se interessarem, não faria o menor sentido alguém sem experiência entrar como gerente, facilitador, Scrum master, etc…. Pensei em certificações também, mas sem experiência não sei se valeria tanto a pena – quero fazê-las quando puder aplicar o conhecimento ao mesmo tempo.

    Será que entrar no mercado como desenvolvedor é a única maneira? Sinceramente, código não é muito a minha praia… Ainda mais que dediquei uns 2 anos somente à área de agilidade e fiquei meio desatualizado das tendências da parte técnica (cada semana lançam um framework Javascript novo).

    Eu fico meio perdido, não sei se foco de vez no mundo ágil ou mudo de vez para a programação.

    Vinicius

    • Jana Pereira
      Responder

      Olá, Vinicius,

      Obrigada pelo retorno.

      Minhas dicas para você é o seguinte:
      1. Você pode começar com melhorias pequenas sem necessariamente “instituir” algum método ou framework ágil. Seja você fazendo um quadro pessoal e demonstrando como isso vem lhe ajudando no dia a dia. Tenho outras dicas, manda um email para mim explicando sua situação atual para podermos marcar uma call, se estiver em São Paulo, que tal um café?

      2. Participar de eventos de agilidade pode lhe dar uma “luz” também. Já comentamos de alguns eventos 1 2 3 4 aqui no blog, acabei de vir do Agile Brazil, tinha um quadro lotado de oportunidades de emprego. No slack, tem o #eventos e assim você pode verificar onde pode participar, há também eventos remotos.

      3. Certificações pode ser um ambiente para ampliar o seu network além de aprender coisas novas.

      4. Você comentou que não curte muito código, mesmo não sendo sua fonte de inspiração você pode tentar aplicar alguma prática de XP para trazer comportamentos de agilidade e aprender tecnologias novas. Assim focando em agilidade e programação ao mesmo tempo.

      Espero ter ajudado em algo.

      Abraços

      • Vinicius
        Responder

        Oi Jana, obrigado pela resposta!

        Vou ficar atento a esses eventos, infelizmente não sou de SP, aí dificulta um pouco a participação em muitos deles. 🙁

        Como faço para participar desse canal no Slack? Preciso de um convite?

        Pretendo me aprofundar em uma metodologia e fazer uma certificação também, mas como disse, temo que com a falta de experiência o certificado seja meio inviável e “sem valor”.

        Podemos trocar e-mails sim, qual é o seu endereço? Basicamente minha situação atual é desempregado e querendo ingressar na área ágil, hahaha.

        Obrigado,
        Vinicius

  • Fernando
    Responder

    Oi Jana, muito bom o post!
    Realmente uma das coisas mais chatas quando você está entrevistando alguém é quando o candidato tenta enganar! Se pudesse dar somente uma dica, ela seria: Seja Sincero sempre.

    • Jana Pereira
      Responder

      Obrigada pelo feedback, Fernando.
      Antes de tudo é ser sincero com você mesma!
      Abraço.

  • Graziele Ferreira
    Responder

    Parabéns Jana, otimo texto.
    Vocês tem alguma dica para quem está iniciando como Agile Coach?
    Trabalho em uma empresa que fez uma junção há 6 meses, porém eu trabalhava com Cascata, e essa outra com Agilidade. Eu era analista de negocio e dev, e ao ter essa mudança, fiquei com o papel de Agile Coach, mas tudo é muito novo para mim, e muito difícil pois sou muito travada para tocar as cerimonias, agora estou mais destravada e amando esse mundo do Agil.
    Porém a empresa teve uma grande demanda de pessoas saindo (desanimadas, por diversos motivos) e só ficou eu e o Agile Coach que já faz esse papel há bastante tempo. E estou bem desanimada também, o que vocês me sugerem, para poder ajudar os times, e voltarmos com o Ágil, facilitar o trabalho de todo time, e trazer resultados (visibilidade) para os times.

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