Cliente como PO – isso pode?

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Olá, pessoal,

Hoje estou fazendo uma reflexão sobre algo que já escuto desde o momento em que fiz o CSPO (Certified Scrum Product Owner)– nem sempre o cliente é o nosso Product Owner (PO).

Pela tradução infeliz, o Dono do Produto, parece algo até óbvio para o leigo pensar que o cliente será nosso melhor PO. Ou ter a situação em que o cliente se imaginar o entendedor do negócio, o verdadeiro dono e o financiador, se auto declarar PO. Em nenhum dos casos acho errado, porém devemos sempre olhar o contexto/cenário para avaliar se essa suposição é realmente a melhor estratégia para o produto e, por consequências, para o time.

Já escrevemos sobre o papel do PO e com base nele, identifico que o dono do produto é um cara muito ocupado e deve ter a agenda totalmente preenchida para poder estar disponível para o time e para os demais stakeholders do produto. Ele deve preparar as próximas sprints, aprovar as releases, rever o roadmap, documentar o necessário. Além de ser um bom comunicador, negociador, estrategista e entender do negócio. A vida de PO não deve ser fácil!!! eu acho é divertida.

Por favor, sem ostentar qualquer PAPEL do Scrum. Afinal, o trabalho em time que fará o sucesso do produto.

Mas Jana, por que você está falando tudo isso, se o foco é o cliente ser PO? A revisão do papel do PO nos ajuda a relembrar que ele tem diversas atividades e deve estar comprometido com o time. Nem sempre isso fica claro ou exposto para o cliente, não é somente saber negócio, envolve muito mais. E quando isso é negligenciado, a possibilidade do cliente-PO de ausentá-se aumenta, impactando diretamente no fluxo que o Scrum se propõe e, consequentemente, no resultado a ser gerado. Um efeito do dominó doloroso. Ou seja, caso um dos papéis definidos pelo Scrum não faz sua parte, os demais papéis também são afetados.
Há também a possibilidade de cliente-PO pensar que é o chefe do time, o que é uma disfunção do PO. Isso pode gerar um terrível desconfortos para os membros do time. Novamente, o PO trabalha com o time, ele também está dentro do táxi. Para minha visão, o time de desenvolvimento, PO e Scrum Master trabalham com apoio mútuo, colaborativamente.
Então, o cliente pode ser PO? Ele é maduro suficiente para realizar todas as habilidades esperadas de um Product Owner? Se sim, não vejo motivo para negar. Caso contrário, utilize o diálogo com o cliente e métricas para demonstrar o impacto que um PO descomprometido das suas responsabilidades pode gerar ao produto. Essa é minha humilde opinião. E que métricas utilizar? As que o seu cliente entenda, o poder de facilitação será o diferencial para poder ajudar na argumentação.

Pela web, encontrei Luis Gonçalves com o artigo Product Owner antipatterns, o qual tem disfunções sobre PO com dicas, tenham cuidado em escolher a mais adequada para o seu contexto. Também gostei dos comentários do Rafael Sabbagh no post Polêmica – o melhor product owner não é o cliente.

Recomendo o blog do Roman Pichler para aprender mais sobre PO.

Abraços

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