Lean UX: O pensamento lean na área de UX

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Nessa semana vou falar um pouco sobre um tema que é essencial para quem quer trabalhar com a área de User Experience (UX) e agilidade: Lean UX.

Resumidamente falando, seu início se deu com uma explosão conhecida como big bang a partir do conceito de Lean Thinking, cujo principal objetivo é a eliminação de desperdícios e, consequentemente, o aumento da produtividade das organizações através de um método totalmente visual, também conhecido como KanbanApesar de ser bem comum nas linhas de produções e montadoras, este foi introduzido para a área de desenvolvimento de software por David J. Anderson e Don Reinersten com a intenção de otimizar o fluxo de trabalho.

Lydia Waldmann (2014), UX Designer da SAP, destaca três princípios fundamentais utilizados dentro área de desenvolvimento de software (tradução livre):

  • A “eliminação do desperdício”, onde todo desperdício é um processo extra, defeitos, funcionalidades extras, etc.
  • Para Taiichi Ohno, um dos fundadores do Lean Manufacturing, desperdício é definido como qualquer coisa que não produz valor para o consumidor.
  • Designs e protótipos não são úteis para o consumidor: eles apenas têm valor quando um produto novo é entregue.
Learning Loop: Build - Measure - Learn

Learning Loop: Build – Measure – Learn

Puxando para o lado da UX, percebe-se que a presença dos fundamentos do Lean Startup (Learning Loop) e também dos conceitos do Design Thinking estão ligados indiretamenteJeff Gothelf, autor do livro Lean UX – Applying Learn Principles to Improve the User Experience, resume esse modelo da seguinte forma:

“Os princípios Lean são subjacentes do Lean Startup, aplicados no Lean UX de três maneiras: Em primeiro lugar, eles ajudam-nos a remover desperdícios do nosso processo de UX design. Em segundo lugar, eles nos guiam para a harmonizar nosso “sistema” de designers, desenvolvedores, gerentes de produto, engenheiros de qualidade, profissionais de marketing e outros em uma colaboração transparente multifuncional que trazem não designers para dentro do processo de design. Por último, e talvez o mais importante, é a mudança da mentalidade que ganhamos com a adoção de um modelo baseado em experimentação.” Tradução livre.

Fundamentado nisso, Gothelf (2013) determinou alguns princípios que servem de base para o método. São eles:

Times Multi-funcionais

Equipes com áreas de formações diferentes, demandam um nível alto de colaboração.

Recomenda-se essa diversificação em atividades de insights (brainstorming, inceptions) como já vimos anteriormente no post sobre Design Thinking.”

Pequerno, dedicado e posicionado

O ideal é que o time não seja muito grande (pela minha experiência, 5 a 7 pessoas no máximo!!). Todos devem estar participando do mesmo projeto e, de preferência, na mesma sala, pois facilita a comunicação e o foco mantem-se no que está sendo desenvolvido, melhorando o entrosamento entre eles.

Progresso = Resultados e não saídas

O progresso é medido pelos resultados entregues aos clientes e não na finalização de uma tarefa de desenvolvimento.

Time focado no problema

O envolvimento de todos nas resoluções de problemas do projeto (e até mesmo do próprio time), aumentando o engajamento da equipe e o comprometimento com o projeto.

Remoção de Desperdícios

Os recursos de projetos são limitados. Quanto mais desperdícios no processo do time são eliminados, mais rápido eles evoluirão.

Desenvolver em pequenos pacotes

Projetar apenas o que for necessário para fazer o time prosseguir, evitando um grande backlog de ideias sem potenciais e com baixo valor para o cliente. Lembrem-se sempre: Iterativo e Incremental!

Externalizar seu trabalho

Procurar deixar visível as atividades que estão sendo desenvolvidas. Em geral costuma-se usar o quadro Kanban para que todos do time possam trabalhar em harmonia.

Fazer ao invés de analisar

Não invista muito tempo analisando. O desenvolvimento de uma primeira versão da ideia tem muito mais valor do que gastar metade de um dia discutindo seus méritos em uma sala de reunião.

Conhecer antes de escalonar

Certificar que as ideias e soluções estão clara para todos antes de desenvolvê-las e escaloná-las. Ou seja, escalonar uma ideia que possui muitas dúvidas, faz com que o risco aumente consideravelmente.

Permissão para falhar

Buscar sempre validar uma solução antes de desenvolvê-la, pois se for para errar, é melhor que isso aconteça no início do projeto e não no final, diminuindo os riscos de retrabalho e aumentando a maturidade da equipe.

Evitar documentações extensas

Como já disse no post sobre mindset ágil, documentações de produtos muito grande, não agregam valor para o cliente. Documentações não resolvem problemas do usuário, mas um bom produto sim!

Descoberta contínua

Envolver sempre o usuário final no processo do time, procurando entender o que eles estão fazendo com o produto entregue e porque o estão fazendo. Essa prática é uma excelente oportunidade para validar novas ideias.

Getting out of the building (GOOB)

Ir para rua com mais frequência para entender realmente os problemas e as necessidades de seu usuário final.

Compartilhar os entendimentos e Anti-pattern: Rockstars, Gurus e Ninjas

Procurar sempre coletivizar o conhecimento do time sobre aquilo que eles estão trabalhando, tirando a responsabilidade e dependência de apenas um ou poucos membros da equipe em terem tal conhecimento.

Podemos concluir que o Lean UX é um método que possui um potencial muito grande, sendo possível notar que alguns princípios estão totalmente alinhados com o Design Thinking e o Agile Software Development. Essa mescla de princípios e conceitos enfatizam a riqueza do trabalho em equipe, no qual Rafael Sabbagh (2013), autor do livro Scrum: Gestão Ágil Para Projetos de Sucesso,  defende como uma das variáveis mais importantes para o sucesso do projeto.

E aí, ja teve alguma experiência com Lean UX? Conte para a gente nos comentários 🙂

Um grande abraço.

 

 

Em 2015 fiz uma palestra sobre Agile UX no Rio Regional Scrum Gathering 2015 e falei um pouco sobre Lean UX. Os slides estão disponíveis aqui
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