Vai uma rodada de Lean Kanban North America 2018?

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E aí, galera!!

Semana passada aconteceu mais uma edição do Lean Kanban North America 2018 (#LKNA). O evento foi em Seattle e contou com a presença de grandes nomes conhecidos, como David J. Anderson e Klaus Leopold. Entretanto, a grande surpresa foi a participação do Brasil, desde ouvinte até palestrante.

Para trazer mais detalhes, convidamos alguns participantes para falar um pouco sobre suas experiências no evento. São eles:

Luiz Lula Rodrigues

Agile Coach na K21. Acredita na simplicidade e apoia o manifesto ágil e seus princípios. Você pode encontrar o que ele lê no twitter @luizphx, e seus rabiscos em luizrodrigues.me

Natália Manha

Agile Coach no Pagseguro, entusiasta do Kanban e organizadora do Lean Coffee Campinas
Linkedin

Rodrigo Rossauro

Gerente Sênior de Arquitetura na RDI Software | Viciado em tecnologia, apaixonado por desenvolvimento ágil, recém-KCP e defensor do fluxo de seus times de desenvolvimento.
Linkedin

Carlos Felippe Cardoso (CFC)

Co-founder & Agile Coach/Trainer na Knowledge21
Linked In

Qual foi seu maior aprendizado com o evento e como você pretende usar esse conhecimento adquirido?

O meu maior aprendizado foi sobre a comunidade Kanban como um todo: Percebi que as fronteiras do Kanban estão sendo expandidas numa velocidade surpreendente e que o downstream Kanban, que é o Kanban mais conhecido e aplicado atualmente pelo mercado, não é o foco principal das discussões da comunidade. Estamos falando, atualmente, muito mais sobre Upstream Kanban, Enterprise Services Planning, Liderança, Maturidade e Portfolio e sobre a aplicação prática destes conceitos em grandes empresas, do governo de Quebéc a grandes empresas brasileiras.

O evento parece ter sido feito para as necessidades atuais do meu time, com os temas de cultura, liderança e portfolio estratégico, com certeza esses são os conhecimentos que levarei e já estou aplicando no dia a dia 😉 .

Foram tantos aprendizados que fica até difícil elencar aqui. Mas, posso destacar o uso eficaz de dados e gráficos para gerar ações e direcionamentos concretos.

O LKNA tem uma característica muito legal. Ele é um evento de altíssimo nível, com muitas palestras e cases interessantes. O principal tema desse ano foi sobre o KMM – Kanban Maturity Model, que vem sendo discutido há alguns meses pela comunidade. Outra coisa muito legal é ver palestras com temas que vão além do team-level, como gestão de portfolio, cases em empresas enormes (como a Microsoft), etc. Mas, o maior aprendizado eu tive, foi no keynote da Cole Nussbaumer – Storytelling with Data: Bringing data to life through pictures and story.

A palestra da Cole é daquelas que você assiste e fica impressionado em como dicas simples podem melhorar ABSURDAMENTE a qualidade e o impacto que podemos gerar na apresentação dos números, isso tudo envolvendo o público em um formato de story telling interessante, e não simplesmente despejando dados e gráficos sem conexão ou historia.

Você paga uma cerveja para qual palestra?

Fiquei bem impressionado com a análise sistêmica do Patrick Steyaert sobre agilidade além dos métodos. Perdi a palestra do Klaus Leopold mas, conversando com as pessoas sobre ela e lendo o livro dele, acho que o conteúdo vale um chopp. E por último, a do David também surpreendeu, falando explicitamente que Culture is the game.

Para a palestra sobre níveis de liderança do David Anderson, é incrível a relação que ele pode fazer entre esportes, política, liderança e níveis de maturidade do Kanban!

Para o workshop Forecasting and prioritization using data, do Troy Magennis.

Além da palestra da Cole que já citei, gostei bastante da sessão do Dragos – trust leadership. Vou ter que pagar duas HBs (Hofbräu Original) então, hehehehe.

Pelo que vocês viram no LKNA, quais os principais problemas que o Kanban tem tentado resolver no mundo corporativo?

Com certeza o problema da imaturidade. Grande parte das organizações está preocupada em ter times ágeis sem se preocupar com a maturidade deles e, pior ainda, sem se preocupar com a maturidade da organização como um todo ou de sua liderança. Como consequência vemos por aí empresas, unidades de negócio e times extremamente frágeis, tentando adotar práticas que não condizem com a sua realidade, mas que servirão como muletas na hora que esta suposta “agilidade” ruir. A maior preocupação da comunidade Kanban atualmente, ao meu ver, é utilizar a prática certa no momento certo para gerar o nível adequado de stress e desenvolver melhores líderes e organizações, mais maduros, robustos e, quem sabe, antifrágeis.

A temida “transformação”, tivemos ótimos resultados nos times que utilizam Scrum e o Kanban está trabalhando para ganhar espaço não como quadro físico, mas como meio para a gestão de cadeia de valor, dependências e com isso, tornando-se base para escalabilidade das práticas ágeis nas organizações.

A falta de resultados concretos e mensuráveis para a corporação como um todo, e não apenas para times isolados.

Acho que dois destaques importantes:

1)Um guia de referência para ajudar coaches a evoluir suas organizações , KMM.
2) O Fit 4 Purpose, que é uma abordagem interessante para falarmos de eficácia, não somente de eficiência.
Aliás , falando de KMM, acho que ele é uma excelente referência para apoiar os Kanban coaches a mover organizações para um nível de maturidade maior. Foi interessante ver que a comunidade também não quer que o modelo vire simplesmente um rankeador. Isso é refutado claramente. A grande intenção do modelo é ajudar a construir um caminho de evolução mais estruturado e claro para as organizações, e não simplesmente um plano de metas impostas por um diretor do tipo “hoje somos uma organização nível dois e quero que, nos próximos dois meses, viremos uma organização nível seis”.

Como está o cenário internacional, em relação ao brasileiro, quando o assunto é Kanban?

Ter praticamente 10% do evento composto por brasileiros já dá uma pista sobre o nosso cenário 🙂 . Tivemos desde a presença do Paulo Furtado, vindo diretamente da Austrália, até a galera do Itamaraty, em Brasília, aplicando Kanban no Governo. Pelos cases apresentados nas palestras feitas por brasileiros, é notável que estamos junto com a vanguarda do Kanban. As discussões da comunidade brasileira não deixam a desejar perto das discussões em pauta no cenário internacional. O alto nível do Lean Kanban Brazil e dos Accredited Kanban Trainers (AKT) brasileiros são bons exemplos disso.

Eu me surpreendi com a quantidade de brasileiros que conheci no evento! Precisamos fazer mais barulho na comunidade. Mostrar o bom trabalho que tem sido feito pode servir para ajudar outras empresas.

O Brasil é visto como uma forte potência no mundo do Kanban, tanto em número de adoções como na maturidade das implementações em geral. Mas, ainda estamos longe de países como Estados Unidos e Alemanha.

É muito legal ver que mais de 10% dos participantes da conferência eram brasileiros. E com direito a palestras do Rosauro, do Yoshima, do Lula (que foi em par comigo) e o lighting talk da Nat, lá do Pagseguro. Dá um baita orgulho ver o quanto estamos trabalhando de igual para igual com os gringos.

Você palestrou? Conta em um twitter o que vc compartilhou! 🙂

CFC e eu falamos sobre a aplicação prática de Kanban no departamento jurídico de uma grande empresa, dando dicas sobre maturidade e técnicas para contextos fora de TI, que está aos poucos se tornando nossa especialidade. De times de auditoria a times de advogados :).

Sim, eu tive a oportunidade de apresentar uma lighting talk sobre o caso de Portfolio no Pagseguro, que se baseou inicialmente no modelo de Portfolio do Spotify, mas que tem utilizado o Kanban como meio para trazer visibilidade, espalhar as práticas pela organização e aumentar nossa maturidade.

Sim, eu dei uma palestra de 50 minutos contando um pouco da experiência que tive em um case de implementação de Kanban bem-sucedido no McDonald’s.

Palestrei sim! Junto com o Lula, falamos do case de um cliente grande nosso que fica em SP. Tivemos uma oportunidade muito legal de propor que a agilidade fosse adotada também pelo departamento jurídico desta grande empresa. Os resultados deste trabalho foram e estão sendo muito legais. Os slides estão disponíveis aqui.

Como vocês puderam perceber, o #LKNA procurou trazer grandes temas, como: maturidade, gestão de portfólio e eficácia das métricas. Ou seja, como o Kanban tem sido utilizado em vários níveis e não apenas na gestão visual de times de desenvolvimento.

Gostaria de agradecer aos nossos convidados incríveis por se disponibilizarem para contar um pouco sobre suas experiencias no evento e nos deixar com vontade de “quero mais!!”. Agradecemos também ao Rodrigo Yoshima por fazer alguns videos com resumos diários sobre esse acontecimento kanbanístico! Você pode assisti-los na página do Lean Kanban Brazil, no facebook.

Muito obrigado e um grande abraço.

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